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Essas coisas que diz toda mulher...

27/01/2005 15:10
Acordou mais tarde que de costume.
Demorou para pegar no sono.
Concluiu que por ordem da polícia colocaram sonífero na sua água.
Bem, mas isso não mais importava, dali há algumas horas sabia que ia virar história mesmo.
Não da forma como imaginava no começo de sua missão, mas tudo bem...não era a primeira vez que isso acontecia. Já tinha ouvido falar de uma tal de Joana que tb tinha sido traída pela sociedade.
Sabia que seria um dia difícil.
Ao contrário do que muitos poderiam pensar não achava que esse era o pior dia de sua vida. Acreditava que pior do que o pior dia, só o dia seguinte. Como não o teria, não tinha nada o que se preocupar.
Como prostituta de estrada sabia bem o que era a dor do dia seguinte, as dores pelo corpo, os fluídos de estranhos em sua roupa, os hematomas em seu rosto, a urticária, o sangue... Como odiava tudo aquilo.
Foi justamente por odiar o dia seguinte que concordou em executar sua missão. Aqueles monstros não tiveram o dia seguinte e ela por seis vezes se sentiu vingada.
Balançou a cabeça para que seus pensamentos fossem removidos e lembrou de Selby ou melhor, das cartas trocadas com a menina por todo esse tempo.
No momento em que as separava a Dra. entrou com um sorriso, perguntando como ela se sentia.
- Não sei. Entregue isso à Selby, disse ela entregando o pacotinho de cartas de sua namorada. Como vc se sentiria no meu lugar? Traída pelas mesmas pessoas que lhe pediram ajuda?
- Estou aqui para saber o que vc quer como refeição, disse a médica com um sorriso forçado no rosto.
- Frango e batata, para poder lavar, disse ela.
Seria a última vez que lavaria sua comida, seria a última vez que a polícia tentaria matá-la. Lembrou que não deveria ter aceito a água de ontem.
Lembrou de todos os horrores que sofreu nas mãos da polícia, dos choques na cabeça enquanto dormia, da vez em que deixou de lavar sua comida e passou mal durante uma noite inteira.
Sua cela foi aberta para o banho.
Resolveu não tomar banho.
Afinal não iria à lugar nenhum.
Pensou melhor e resolveu tomar o melhor banho de sua vida, uma vez que depois que tudo acabasse ELES viriam buscá-la.
Sentiu-se agitada e olhou-se num pequeno espelho de sua cela.
Logo não teria mais vergonha de seu rosto e seu corpo. Lembrou das vezes em que seus clientes mandavam que tirasse a camisola. Lembrou do ódio que sentiu quando o “quinto” lhe chamou de “P... recatada”, essas inclusive foram suas últimas palavras.
Pensou novamente no bem que fez a sociedade, nunca mais aquele idiota falaria nada.
Realmente era uma pessoa boa.
Tornou a olhar no espelho.
O que viu lhe deixou triste. Seu olhar era opaco, seu cabelo uma palha, as rugas já lhe haviam tomado o rosto, afinal doze anos lá dentro não fariam maravilhas à sua aparência.
Nunca foi vaidosa.
Nunca foi santa tampouco.
Mas era uma boa pessoa. Isto é inegável.
Um policial vem lhe avisar sobre a chegada de um padre para que pudesse confessar.
- Não vou me confessar de p... nenhuma porque não pequei, disse em altos brados. Se alguém precisa se confessar é a sociedade, cujos representantes estão aí fora, gritando e portando cartazes, esperando avidamente meu fim feito abutres, prosseguiu.
Sua refeição havia chegado.
Lavou três vezes o frango e as batatas, como de costume e lembrou que seria a última vez que faria isso
A última vez que comeria.
A espera a impacientava.
Foi chamada pelo carcereiro.
Chegou a hora, pensou.
Dali a pouco, tudo acabaria.
A sociedade finalmente acabaria com a prostituta.
Enquanto se dirigia para o local, escoltada lembrou que seriam seus últimos passos.
Lembrou de sua mãe e irmão e no quanto os odiava.
Ao chegar na sala de execução, avistou um médico e um polícial.
Lembrou do quanto o médico parecia com seu ex-marido, magro, pálido e com um sorriso imbecil nos lábios.
Se não estivesse algemada, bateria no médico tanto quanto batia nele. Que fim teria tido aquele panaca. Certamente deve estar rindo do lado de fora.
Enquanto deitava na maca pensou que o fim era um presente que estavam lhe dando, definitivamente um presente. Sempre teve um pouco de medo, mas agora estava tranqüila, pois definitivamente o fim seria a melhor solução. Chegou quase a agradecer a sociedade e àqueles que a tinham colocado naquela situação, quando seus pensamentos foram interrompidos pela voz do policial perguntando-lhe quais seriam suas últimas palavras.
Pensou em falar sobre seu alívio, sua felicidade em ver terminar algo que lhe angustiava, mas achou que iriam pensar que era louca.
Ouviu o barulho da cortina se abrindo.
Se surpreendeu com as várias pessoas ali presentes, prontas para testemunhar seu último suspiro.
Depois o monstro sou eu, pensou.

- Eu gostaria de dizer que estou velejando com A ROCHA e voltarei como em Independency Day, com Jesus, 6 de junho, como no filme, na nave mãe e tudo. I’ll be back. I’ll be back.
Fechou os olhos, mas tudo que conseguiu ver foi um vermelho pastoso e começou a ouvir os gritos que identificou como seus.
Gritos de uma menina espancada pelo pai estuprada pelo avô e rejeitada pela mãe.
Gritos da prostituta humilhada e barata.
Gritos dos seis que havia matado.
Achou melhor abrir os olhos e pedir a música que seria tocada em seu enterro.
Sabia que era uma boa pessoa.
Sabia que a nave-mãe estava a caminho.
Às 9:30 a injeção foi ministrada pelo médico.
Com os olhos fixos na luminária redonda suspensa por um fio, viu um intenso brilho se aproximando e a luminária se transformar na nave que a pegaria. Logo estaria nela e comandaria a volta, para fazer justiça e eliminar todos os que não a compreenderam.
Começou a sentir frio e percebeu que estava perdendo os sentidos.
Dois minutos depois pararia de tremer.
Trinta minutos depois foi declarada sua morte.

O médico foi para casa satisfeito com o sucesso de seu procedimento.
O policial foi para o palanque improvisado do lado de fora da prisão, informar a morte dela, à alguns membros da sociedade que estavam presentes, acrescentando as suas últimas palavras à seu bel talante, um pedido de desculpas aos familiares das vítimas.
A sociedade se sentiu vingada pela morte dos seis homens.
O governo norte-americano foi honrado, afinal havia acabado com uma serial killer, e não foram todos que perceberam que aquela mulher estava visivelmente demente então, certamente não questinonariam a pena de morte imposta a uma mulher que necessitava de tratamento psiquiátrico.
Ailleen Wuornos subiu na nave-mãe do Independency Day e foi recebida por eles, com alegria, sabendo que era uma boa pessoa.
Afinal a missão de todos havia sido cumprida


PS POUCO É BOBAGEM
PS1- Vivi adorei dançar a valer com vc.
PS2 - ThiPonte, grooveria sábado, a Olivia canta melhor, mas os caras são bons tb.
PS3 - Cara eu amo a Luna, Tony. Será que a gente nao podia combinar um programa com ela tipo zoologico
PS4 - Sil, não fica brava com o Latino amore, ele é festeiro coitado.
PS5 - Não consegui experimentar o vestido ainda Van, e para de ficar triste comigo.


bjubjubju

enviada por Thati






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